Relações Espirituais

O INTERRELACIONAMENTO entre os Espíritos e os homens é mais vasto e constante do que se pode imaginar.

Não sendo a esfera espiritual senão a realidade primeira, para ali retornam os que deambulam na roupagem carnal, restabelecendo os vínculos afetivos e familiares ou sustentando os ódios e animosidades decorrentes da inferioridade, na qual, por acaso, estagiam.

Formando grupos que se atraem ou se repelem, os Espíritos se reencarnam obedecendo à programação evolutiva dentro dos quadros de conquistas ou perdas em que se desenvolvem.

Desse modo, estabelecem os laços de união, mediante cujo comportamento se ajudam ou se separam de outros clãs com os quais não se afinizam.

Os problemas derivados da conveniência humana são transferidos da Terra para a Erraticidade e de uma para outra reencarnação, dando curso às simpatias e antipatias, aos afetos profundos como aos ódios alienantes.

O trânsito no século terrestre sempre se dá sob o beneplácito de tais amores ou a interferência desses adversários.

Graças aos registros mentais, ao cultivo de um como de outro tipo de aspiração emocional são atraídos para a convivência psíquica desencarnados portadores de aptidões e anelos equivalentes, surgindo um relacionamento que se agrava ou se aprofunda, conforme seja a faixa dos interesses existentes.

Quando alguém se afirma responsável absoluto pelos seus pensamentos e atos, ingenuamente não passa de um presunçoso. Da mesma forma, quando se esconde na posição de vítima dos Espíritos que lhe comandam a existência, afligindo-a e levando-a a desacertos, tomba, de igual modo, na irresponsabilidade.

Inegavelmente, a interferência espiritual na vida cotidiana dos homens é tão natural quanto a oxigenação sanguínea para a preservação do corpo.

Pelo fato de se fazer oculta a intercomunicação, isso não significa inexistência, à semelhança da árvore vetusta, cujas flores perfumadas e frutos saborosos são a conseqüência das raízes ocultas no milagre do húmus da terra, mantenedoras de todo o vegetal que esplende acima do solo...

Os homens, em razão das construções mentais, irradiam ondas nas quais intercambiam uns com os outros, estabelecendo fixações e mandando mensagens, emitindo como captando forças que são incorporadas à economia emocional, conscientemente ou não.

Na mesma ordem, sucede o fenômeno de dependência mental entre estes e os desencarnados que, invariavelmente, se acercam daqueles que lhes são afins, fiéis aos postulados que abraçam.

Os maus, em razão da predominância dos instintos e paixões primitivas, fomentam desequilíbrios, dando gênese a processos obsessivos que, não cuidados em tempo, se transformam em parasitose perniciosa quão destrutiva.

Igualmente sucede em caráter oposto, quando a mente encarnada se fixa naqueles que se desligaram pela morte e se vêm atraídos, sofrendo-lhes a incidência perturbadora e rebelde do pensamento enfermiço.

Por outro lado, os Benfeitores insistem em auxiliar aos seus pupilos, mediante a inspiração e o socorro nos momentos difíceis, tanto quanto através da proteção constante, de modo a executarem os compromissos a que se vinculam como necessidade evolutiva.

Cumpre ao homem esclarecido selecionar as áreas de aspirações emocionais e os pensamentos que atraiam os nobres Instrutores que os erguerão às cumeadas da sabedoria e aos remansos de paz íntima, como prenúncio da felicidade que os aguarda.

No Universo de vibrações, onde pululam ondas, mentes, ideias e aspirações, cada ser se imanta a outro de teor equivalente, propiciador de inevitável intercâmbio espiritual.

Conforme é lógico, os afetos se esforçam para auxiliar-se reciprocamente, enquanto os inimigos se armam de sutilizas e agridem com violência ou não para desforços inconcebíveis.

Na razão em que os primeiros criam condições favoráveis ao êxito, impulsionam pessoas generosas para que ajudem aos seus pupilos, promovendo circunstâncias promissoras, aqueloutros, os invejosos e perversos, armam ciladas, emulam às decisões arbitrárias, estimulam os instintos e paixões inferiores, em cujo processo se comprazem, mais se infelicitando, sem dúvida, em razão da ignorância na qual permanecem.

Elevar-se moralmente, através dos pensamentos nobilitantes, do estudo libertador e da ação fomentadora do progresso deve constituir um minirroteiro para quem anele por uma sintonia com os Mensageiros da Luz, já que, a sós, tal é a verdade, ninguém se movimenta no mundo...

Manoel Philomeno de Miranda

 

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, em 20.01.1986, no Centro Espírita “Caminho da Redenção”, em Salvador, Bahia, publicado em “Reformador”, de setembro de 1986)

Glossário:

Cumeada: seqüência de cumes de montanhas;
Deambular: Passear; caminhar sem rumo certo; vaguear a esmo, através das ruas.
Vetusto: muito velho, antigo, deteriorado pelo tempo.