150 - A oração do justo


 
"A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos." – (Tiago, 5:16).
 
Considerando as ondas do desejo, em sua força vital, todo impulso e todo anseio constituem também orações que partem da Natureza.
 
O verme que se arrasta com dificuldade, no fundo está rogando recursos de locomoção mais fácil.
 
A loba, cariciando o filhote, no imo do ser permanece implorando lições de amor que lhe modifiquem a expressão selvagem.
 
O homem primitivo, adorando o trovão, nos recessos da alma pede explicações da Divindade, de maneira a educar os impulsos de fé.
 
Todas as necessidades do mundo, traduzidas no esforço dos seres viventes, valem por súplicas das criaturas ao Criador e Pai.
 
Por isso mesmo, se o desejo do homem bom é uma prece, o propósito do homem mau ou desequilibrado é também uma rogativa.
 
Ainda aqui, porém, temos a lei da densidade específica.
 
Atira uma pedra ao vizinho e o projétil será imediatamente atraído para baixo.
 
Deixa cair algumas gotas de perfume sobre a fronte de teu irmão e o aroma se espalhará na atmosfera.
 
Liberta uma serpente e ela procurará uma toca.
 
Solta uma andorinha e ela buscará a altura.
 
Minerais, vegetais, animais e almas humanas estão pedindo habitualmente, e a Providência Divina, através da Natureza, vive sempre respondendo.
 
Há processos de solução demorada e respostas que levam séculos para descerem dos Céus à Terra.
 
Mas de todas as orações que se elevam para o Alto, o apóstolo destaca a do homem justo como sendo revestida de intenso poder.
 
É que a consciência reta, no ajustamento à Lei, já conquistou amizades e intercessões numerosas.
 
Quem ajunta amigos, amontoa amor. Quem amontoa amor, acumula poder.
 
Aprende, assim, a agir com justiça e bondade e teus rogos subirão sem entraves, amparados pelos veículos da simpatia e da gratidão, porque o justo, em verdade, onde estiver, é sempre um cooperador de Deus.