Reações Inconscientes

Não são poucos aqueles que se interessam pela Doutrina Espírita e buscam informar-se a respeito dos seus incomparáveis conceitos libertadores da ignorância e da superstição.

Nada obstante, desacostumados ao raciocínio lógico em torno das questões superiores da Vida, defrontam-se com incomuns dificuldades para entender os postulados claros e profundos do Espiritismo.

Anteriormente informados, de maneira errônea, a respeito do que seriam as propostas da Codificação, mais centradas nas manifestações de natureza mediúnica, sem qualquer contribuição filosófica e suporte científico, não conseguem raciocinar fora desses chavões mentais a que se mantêm apegados, enfrentando dificuldades para romper o círculo dos equívocos mentais.

Quando convidados à reflexão e ao discernimento divagam, abandonando a lógica para fixar-se em torno do poder que atribuem aos Espíritos, que tudo saberiam, a todos problemas resolveriam, alterando  as estruturas universais, desde que disso resultem benefícios pessoais imediatos.

A sua lógica encontra-se centrada no maravilhoso, no extraordinário, em cujo comportamento incluem as manifestações espirituais, recusando-se, mesmo que inconscientemente, a aceitar o fenômeno como de natureza orgânica, em perfeita sintonia com a paranormalidade que caracteriza o médium.

Em uma ingenuidade incomum, preferem transferir aos médiuns a carga dos seus problemas, a uns endeusando e a outros desconsiderando conforme os resultados obtidos ao seu lado, distantes do bom senso e do esforço pessoal.

Ouvem as orientações doutrinárias, às vezes, lêem-nas mal, certamente porque preferem ouvir somente as comunicações espirituais que os fascinam, não dispondo de qualquer alicerce racional para os enfrentamentos naturais do processo evolutivo.

Toda vez que se encontram diante de um desafio perfeitamente normal, em face do processo de crescimento interior e desenvolvimento intelecto-moral, recorrem aos médiuns buscando soluções apressadas, anelando que o problema seja postergado, mesmo que mais tarde retornando com maior complexidade.

Acomodam-se aos interesses egoísticos e podem tornar-se cooperadores de boa vontade nas instituições espíritas, mas o seu grande problema diz respeito à auto-iluminação que adiam, circulando em torno das conveniências imediatas, sem maior alcance para a própria imortalidade.

Distraem-se com as referências doutrinárias, preservando as habilidades e condutas anteriores sem o esforço pela renovação moral ou pela interiorização dos conhecimentos espíritas.

Lamentavelmente, não adquirem convicção em torno dos paradigmas doutrinários, que lhes parecem difíceis de assimilação, em face da preguiça mental, sempre solicitando esclarecimentos e parasitariamente dependendo do esforço e da dedicação daqueles aos quais se afeiçoam.

O Espiritismo é doutrina de grave responsabilidade para todos que se lhe acercam em busca do seu conhecimento. Não se compadece com a ignorância, que mantém os seus profitentes no desconhecimento dos próprios deveres. Pelo contrário, trabalha-lhes a reforma de natureza moral, convidando sempre ao crescimento interior e ao auto-descobrimento, a fim de tornar-se cada dia novo melhor do que na véspera.

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Graças às facilidades da comunicação virtual, alguns desses companheiros de jornada utilizam-se da Internet para o intercâmbio com outras pessoas, igualmente procurando, por seu intermédio, aprender o Espiritismo através de e-mails, nos quais as suas dúvidas são apresentadas, normalmente, aos médiuns dos quais tomam conhecimento da sua existência, não se convencendo com as respostas que recebem. Ato contínuo, apresentam as mesmas questões a diversas outras pessoas, a fim de comparar as respostas que, no entanto, já se encontram exaradas nas Obras fundamentais que constituem a Codificação do Espiritismo, que é uma fonte inexaurível de conhecimentos capazes de felicitar todas as mentes e todos os corações.

Com essa conduta, geram conflitos de opiniões, sustentam polêmicas vazias de conteúdos elevados, desconfiam das informações recebidas, mantendo-se propositalmente distantes da iluminação íntima.

Freqüentam, vez que outra, alguma instituição espírita, mas não se fixam em lugar algum, transitando com leviandade em torno dos médiuns e não do Espiritismo, entretecendo considerações a respeito do que desconhecem, como se houvessem aprofundado reflexões.

Gostariam que o Espiritismo tivesse um lado místico, maravilhoso, sobrenatural, para os atender, limando suas arestas morais, facilitando os seus empreendimentos, auxiliando suas ambições...

O mágico fascina-os, desde que lhes premie com futilidades e enganos, formando grupos de insensatos que sempre buscam novidades.

O Espiritismo, porém, é uma ciência que estuda a origem, a natureza, o destino dos Espíritos e as relações que existem entre o mundo corporal e o mundo espiritual, conforme o definiu Allan Kardec, e não uma ocorrência chã, sem estruturas de segurança.

Observando os fenômenos, explica-lhes o mecanismo, a complexidade e apresenta a finalidade básica de demonstrar a imortalidade da alma e a sua comunicabilidade, do que resultam efeitos morais e a grande filosofia que explica a justiça divina, as razões dos sofrimentos humanos e a finalidade superior da própria existência na Terra.

Revivescendo os ensinamentos de Jesus, convoca os seus adeptos ao estudo e ao aprimoramento moral, de forma que se lhe operem transformações contínuas no processo de ascensão espiritual, de maneira a libertar-se das paixões grosseiras para alcançar a faixa da intuição onde se operam as comunicações transcendentes da Vida.

Chegou, à Terra, no momento próprio, quando a amplitude do conhecimento pode explicar os fenômenos que opera e que, ao tempo de Jesus, não poderiam ser compreendidos.

Graças às ciências contemporâneas, os seus fundamentos têm sido confirmados de modo a sustentar as propostas filosóficas otimistas e clarificadoras de todos os enigmas que envolvem o ser humano e sua existência, constituindo-se um manancial de consolo e de esperança.

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Não apliques o teu tempo precioso com esses transeuntes dos fenômenos mediúnicos que não firmam propósitos de auto-aprimoramento, de iluminação interior, de esforços em favor da renovação moral.

Encaminha-os ao estudo sério da Doutrina e orienta-os ao esforço pessoal em favor de si mesmos, libertando-se das suas armadilhas e libertando-os da dependência emocional da tua pessoa.

Não interessados pela vinculação com o pensamento doutrinário, podem tornar-se parasitas espirituais, exaurindo-te as energias que poderão ser aplicadas de maneira melhor em favor dos objetivos relevantes da tua caminhada espiritual.

Há muito solo humano a ser cultivado, que se encontra aguardando carinho e adubo adequado para que nele seja semeado o conhecimento espírita e que te cumpre fazê-lo.

Joanna de Ângelis

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 12 de março de 2007, na residência do engenheiro Vítor Mora Féria, em Loulé, Algarve, Portugal.)