97 - A palavra da cruz


 
"Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós que somos salvos é o poder de Deus." - Paulo (I Coríntios, 1:18).
 
A mensagem da cruz é dolorosa em todos os tempos.
 
Do Calvário desceu para o mundo uma voz, a princípio desagradável e incompreensível. .
 
No martirológio do Mestre situavam-se todos os argumentos de negação superficialmente absoluta.
 
O abandono completo dos mais amados.
 
A sede angustiosa.
 
Capitulação irremediável.
 
Perdão espontâneo que expressava humilhação plena.
 
Sarcasmo e ridículo entre ladrões.
 
Derrota sem defensiva.
 
Morte infamante.
 
Mas o Cristo usa o fracasso aparente para ensinar o caminho da Ressurreição Eterna, demonstrando que o "eu" nunca se dirigirá para Deus, sem o aprimoramento e sem a sublimação de si próprio.
 
Ainda hoje, a linguagem da cruz é loucura para; os que permanecem interminavelmente no círculo de reencarnações de baixo teor espiritual; semelhantes criaturas não pretendem senão mancomunar-se com a morte, exterminando as mais belas florações do sentimento. Dominam a muitos, incapazes do próprio domínio, ajuntam tesouros que a imprudência desfaz e tecem fios escuros de paixões obcecantes em que sucumbem, vezes sem conto, à maneira da aranha encarcerada nas próprias teias.
 
Repitamos a mensagem da cruz ao irmão que se afoga na carne e ele nos classificará à conta de loucos, mas todos nós, que temos sido salvos de maiores quedas pelos avisos da fé renovadora, estamos informados de que, nos supremos testemunhos, segue o discípulo para o Mestre, quanto o Mestre subiu para o Pai, na glória oculta da crucificação.