74 - Quando há luz


 
"O amor do Cristo nos constrange". - Paulo (II Coríntios, 5:14).
 
Quando Jesus encontra santuário no coração de um homem, modifica-se-lhe a marcha inteiramente.
 
Não há mais lugar dentro dele para a adoração improdutiva, para a crença sem obras, para a fé inoperante.
 
Algo de indefinível na terrestre linguagem transtorna-lhe o espírito.
 
Categoriza-o a massa comum por desajustado, entretanto, o aprendiz do Evangelho, chegando a essa condição, sabe que o Trabalhador Divino como que lhe ocupa as profundidades do ser.
 
Renova-se-lhe toda a conceituação da existência.
 
O que ontem era prazer, hoje é ídolo quebrado o que representava meta a atingir, é roteiro errado que ele deixa ao abandono.
 
Torna-se criatura fácil de contentar, mas muito difícil de agradar.
 
A voz do Mestre, persuasiva e doce, exorta-o a servir sem descanso.
 
Converte-se-lhe a alma num estuário maravilhoso, onde os padecimentos vão ter, buscando arrimo, e por isso sofre a constante pressão das dores alheias.
 
A própria vida física afigura-se-lhe um madeiro, em que o Mestre se aflige. É-lhe o corpo a cruz viva em que o Senhor se agita crucificado. O único refúgio em que repousa é o trabalho perseverante no bem geral.
 
Insatisfeito, embora resignado; firme na fé, não obstante angustiado; servindo a todos, mas sozinho em si mesmo, segue, estrada afora, impelido por ocultos e indescritíveis aguilhões...
 
Esse é o tipo de aprendiz que o amor do Cristo constrange, na feliz expressão de Paulo. Vergasta-o a luz celeste por dentro até que abandone as zonas inferiores em definitivo.
 
Para o mundo, será inadaptado e louco.
 
Para Jesus, é o vaso das bênçãos.
 
A flor é uma linda promessa, onde se encontre.
 
O fruto maduro, porém, é alimento para Hoje.
 
Felizes daqueles que espalham a esperança, mas bem-aventurados sejam os seguidores do Cristo que suam e padecem, dia a dia, para que seus irmãos se reconfortem e se alimentem no Senhor!