72 - Incompreensão


 
"Fiz-me fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos para, por todos os meios, chegar a salvar alguns". - Paulo. (I Coríntios, 9:22).
 
A incompreensão, indiscutivelmente, é assim como a treva perante a luz, entretanto, se a vocação da claridade te assinala o íntimo, prossegue combatendo as sombras, nos menores recantos de teu caminho.
 
Não te esqueças, porém, da lei do auxílio e observa-lhe os princípios, antes da ação.
 
Descer para ajudar é a arte divina de quantos alcançaram conscienciosamente a vida mais alta.
 
A luz ofuscante produz a cegueira.
 
Se as estrelas da sabedoria e do amor te povoam o coração, não humilhes quem passa sob o nevoeiro da ignorância e da maldade.
 
Gradua as manifestações de ti mesmo para que o teu socorro não se faça destrutivo.
 
Se a chuva alagasse indefinidamente o deserto, a pretexto de saciar-lhe a sede, e se o Sol queimasse o lago, sem medida, com a desculpa de subtrair-lhe o barro úmido, nunca teríamos clima adequado à produção de utilidades para a vida. I
 
Não te faças demasiado superior diante dos inferiores ou excessivamente forte perante os fracos.
 
Das escolas não se ausentam todos os aprendizes, habilitados em massa, e sim alguns poucos cada ano.
 
Toda mordomia reclama noção de responsabilidade, mas exige também o senso das proporções.
 
Conserva a energia construtiva do exemplo respeitável, mas não olvides que a ciência de ensinar só triunfa integralmente no orientador que sabe amparar, esperar e repetir.
 
Não clames, pois, contra a incompreensão, usando inquietude e desencanto, vinagre e fel.
 
Há méritos celestiais naquele que desce ao pântano sem contaminar-se, na tarefa de salvação e reajustamento.
 
O bolo de matéria densa reveste-se de Iodo, quando arremessado ao poço lamacento, todavia, o raio de luz visita as entranhas do abismo e dele se retira sem alterar-se.
 
Que seria de nós se Jesus não houvesse apagado a própria claridade fazendo-se à semelhança de nossa fraqueza, para que lhe testemunhássemos a missão redentora? Aprendamos com ele a descer, auxiliando sem prejuízo de nós mesmos.
 
E, nesse sentido, não podemos esquecer a expressiva declaração de Paulo de Tarso quando afirma que, para a vitória do bem, se fez fraco para os fracos, fazendo-se tudo para todos, a fim de, por todos os meios, chegar a erguer alguns.