62 - Devagar, mas sempre


 
"Mas ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova, de dia em dia." - Paulo (lI Coríntios, 4:16).
 
Observa o espírito de seqüência e gradação que prevalece nos mínimos setores da Natureza.
 
Nada se realiza aos saltos e, na pauta da Lei Divina, não existe privilégio em parte alguma.
 
Enche-se a espiga de grão em grão.
 
Desenvolve-se a árvore, milímetro a milímetro.
 
 
Nasce a floresta de sementes insignificantes.
 
Levanta-se a construção, peça por peça.
 
Começa o tecido nos fios.
 
As mais famosas páginas foram produzidas, letra a letra.
 
A cidade mais rica é edificada, palmo a palmo.
 
As maiores fortunas de ouro e pedras foram extraídas do solo, fragmento a fragmento.
 
A estrada mais longa é pavimentada, metro a metro.
 
O grande rio que se despeja no mar é conjunto de filetes líquidos.
 
Não abandones o teu grande sonho de conhecer e fazer, nos domínios superiores da inteligência e do sentimento, mas não te esqueças do trabalho pequenino, dia a dia.
 
A vida é processo renovador, em toda parte, e, segundo a palavra sublime de Paulo, ainda que a carne se corrompa, a individualidade imperecível se reforma, incessantemente.
 
Para que não nos modifiquemos, todavia, em sentido oposto à expectativa do Alto, é indispensável saibamos perseverar com o esforço de auto-aperfeiçoamento, em vigilância constante, na atividade que nos ajude e enobreça.
 
Se algum ideal divino te habita o espírito, não olvides o servicinho diário, para que se concretize em momento oportuno.
 
Há ensejo favorável à realização?
 
Age com regularidade, de alma voltada para a meta.
 
Há percalços e lutas, espinhos e pedrouços na senda?
 
Prossegue mesmo assim.
 
O tempo; implacável dominador de civilizações e homens, marcha apenas com sessenta minutos por hora, mas nunca se detém.
 
Guardemos a lição e caminhemos para diante, com a melhoria de nós mesmos.
 
Devagar, mas sempre.