Tarefas

Estamos convictos de que a Doutrina Espírita, se nos favorece o engrandecimento do coração no cadinho das experiências vividas, igualmente nos enseja a exaltação da inteligência, situando-nos entre o estudo e a meditação a fim de que a sabedoria nos inspire a seleção dos valores morais que iluminem o Espírito.

Assim, mobilizemos razão e bom senso, verificando nosso posicionamento nas lides espiritistas, de forma a valorizar o tempo em nós, ante as realizações que realmente nos competem.

A acomodação ao empirismo entremeado de Êxtases do sentimento não se coaduna com a hora presente, a exigir reflexão e amadurecimento que estabelecem transformação de base.

O coração que se identificou com a grandiosidade do vero Cristianismo, recolhendo os favores da Boa Nova, convocará, de imediato, o concurso do cérebro para que a razão, trabalhando, venha contribuir com a argamassa do bom senso nas estruturas sólidas das convicções legítimas.

Não podemos compreender Doutrina Espírita sem estudo continuado e perseverante, como jamais entenderemos espiritistas sem tarefas determinadas no grande movimento de renovação de almas.

Trabalho é a senha abençoada dos que efetivamente escancaram as portas do coração a Jesus, desejosos de perpetuar em si mesmos as claridades esfuziantes da fé. E fé sem obras representa caos, estagnação, fragilidade.

Estamos, na vida, convocados a aprender e ensinar, simultaneamente, abraçando responsabilidades do dia-a-dia a fim de participarmos das imperecíveis conquistas da sabedoria e do amor.

Repara, contudo, que a obra da natureza, refletindo a sabedoria do Pai, nos convoca à especialização de tarefas, tendo em vista a ampliação dos resultados.

O Sol encarregou-se da luz e da energia, confiando-nos ao trabalho de sustentar a vida com o calor de seus raios fecundantes.

O solo aquiesceu aos encargos de nutrição da semente, para que o vegetal se alteasse na produção de alimento.

E as árvores se agruparam em espécies distintas, trazendo seus frutos sazonados ao grande celeiro da existência comum.

Há ordem nos céus e disciplina na Terra, favorecendo a mensagem do equilíbrio nas leis da natureza.

Posicionemo-nos como servidores leais do Cristo na seara da Terceira Revelação, abraçando responsabilidades nossas, certos de que não há tarefas maiores ou menores. Todas dignificam o obreiro do bem e da luz ante a sublime essência com que se revelam.

O movimento espírita, que cresce para vantagens do mundo, está a exigir cooperação especializada, objetivando os fins desejosos na evangelização do Homem.

Depois da primeira hora, aquela do despertamento para as realidades do existir, será indispensável vivermos a cooperação enobrecedora, evitando esbarrar com os impedimentos do fanatismo ou da contemplação extasiada.

Produziremos efetivamente melhor, segundo os potenciais de nossas especializações.

A mediunidade reclamará disciplina e adestramento, matriculando o servidor legítimo nos campos de sua especialidade fenomênica.

O esclarecimento doutrinário eficiente requisitará o concurso da palavra no vernáculo escorreito e iluminada pelo sentimento nobre que jamais se omite de reforçar o que ensina pelos potenciais do exemplo.

A evangelização de crianças e jovens contará com a participação de servidores adestrados na arte de ensinar e transmitir, que buscarão atualizar-se, permanentemente, reconhecidos de que a obra de orientação humana exigirá devotamento e circunspecção.

Os serviços de auxilio espiritual, seja na tarefa do passe ou na distribuição de água fluidificada, preconizarão o concurso dos doadores do magnetismo curativo.

A obra da divulgação doutrinária, seja por qual veículo se expresse, exigirá colaboração dedicada e eficaz, quer pela palavra falada, quer pela mensagem escrita, objetivando os fins a que se propõe.

O serviço social, mobilizado em nome da caridade, convocará especialistas da assistência fraterna para as oficinas do socorro justo, onde mãos diligentes refulgirão por estrelas de fraternidade e devotamento.

Não se agaste ante o tempo que jamais ousaremos ludibriar.

Recorde que a tarefa nobilitante será, agora e sempre, o melhor antídoto contra as aflições que enxameiam o mundo.

Bater às portas da Instituição Espírita para receber é ocorrência da primeira hora de nosso despertamento. Porque somente o trabalho cooperativo será o incansável buril, reajustando-nos o equilíbrio interior.

Identifiquemo-nos com a tarefa individual que nos compete desenvolver, enquanto o Mestre Excelso estará dirigindo as realizações coletivas que demarcarão na Terra os alicerces indefectíveis do almejado Reino do Senhor.

GUILLON RIBEIRO

(Página psicografada em reunião pública da Casa Espírita Cristã, em 19.08.69, pelo médium Júlio Cezar Grandi Ribeiro) – Publicada no REFORMADOR de DEZ/76).

Glossário

Cadinho (fig.): lugar onde as coisas de misturam, se fundem.
Empirismo (s. m.) doutrina que se baseia exclusivamente na experiência, como única fonte de conhecimentos.
Êxtase (s. m.): arrebatamento íntimo; estado emocional, com estreitamento do campo de consciência, em torno de uma representação ou ideia de conteúdo amoroso ou místico.
Vernáculo (s. m.): o idioma próprio do país; a linguagem correta e pura.
Escorreito (adj.): que não tem defeito, lesão; bem apessoado; normal, ajuizado; correto.
Circunspecto (adj.): que procede com circunspecção; cauteloso; prudente.
Nobilitar:(fig.): tornar nobre, engrandecer.