48 - Diante do Senhor


 
"Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra." - Jesus (João, 8:43).
 
A linguagem do Cristo sempre se afigurou a muitos aprendizes indecifrável e estranha.
 
Fazer todo o bem possível, ainda quando os males sejam crescentes e numerosos.
 
Emprestar sem exigir retribuição.
 
Desculpar incessantemente.
 
Amar os próprios adversários.
 
Ajudar aos caluniadores e aos maus.
 
Muita gente escuta a Boa Nova, mas não lhe penetra os ensinamentos.
 
Isso ocorre a muitos seguidores do Evangelho, porque se utilizam da força mental em outros setores.
 
Crêem vagamente no socorro celeste, nas horas de amargura, mostrando, porém, absoluto desinteresse ante o estudo e ante a aplicação das leis divinas.
 
A preocupação da posse lhes absorve a existência.
 
Reclamam o ouro do solo, o pão do celeiro, o linho usável, o equilíbrio da carne, o prazer dos sentidos e a consideração social, com tamanha volúpia que não se recordam da posição de simples usufrutuários do mundo em que se encontram, e nunca refletem na transitoriedade de todos os patrimônios materiais, cuja função única é a de lhes proporcionar adequado clima ao trabalho na caridade e na luz, para engrandecimento do espírito eterno.
 
Registram os chamamentos do Cristo, todavia, algemam furiosamente a atenção aos apelos da vida primária.
 
Percebem, mas não ouvem.
 
Informam-se, mas não entendem.
 
Nesse campo de contradições, temos sempre respeitáveis personalidades humanas e, por vezes, admiráveis amigos.
 
Conservam no coração enormes potenciais de bondade, contudo, a mente deles vive empenhada no jogo das formas perecíveis.
 
São preciosas estações de serviço aproveitável, com o equipamento, porém, ocupado em atividades mais ou menos inúteis.
 
Não nos esqueçamos, pois, de que é sempre fácil assinalar a linguagem do Senhor, mas é preciso apresentar-lhe o coração vazio de resíduos da Terra, para receber-lhe, em espírito e verdade, a palavra divina.