46 - Na cruz


 
"Ele salvou a muitos e a si mesmo não pôde salvar-se." - (Mateus, 27:42).
 
Sim, ele redimira a muitos...
 
Estendera o amor e a verdade, a paz e a luz, levantara enfermos e ressuscitara mortos.
 
Entretanto, para ele mesmo erguia-se a cruz entre ladrões.
 
Em verdade, para quem se exaltara tanto, para quem atingira o pináculo, sugerindo indiretamente a própria condição de Redentor e Rei, a queda era enorme...
 
Era o Príncipe da Paz e achava-se vencido pela guerra dos interesses inferiores.
 
Era o Salvador e não se salvava.
 
Era o Justo e padecia a suprema injustiça.
 
Jazia o Senhor flagelado e vencido.
 
Para o consenso humano era a extrema perda.
 
Caíra, todavia, na cruz.
 
Sangrando, mas de pé.
 
Supliciado, mas de braços abertos.
 
Relegado ao sofrimento, mas suspenso da Terra.
 
Rodeado de ódio e sarcasmo, mas de coração içado ao Amor.
 
Tombara, vilipendiado e esquecido, mas, no outro dia, transformava a própria dor em glória divina. Pendera-lhe a fronte, em pastada de sangue, no madeiro, e ressurgia, à luz do sol, ao hálito de um jardim.
 
Convertia-se a derrota escura em vitória resplandecente. Cobria-se o lenho afrontoso de claridades celestiais para a Terra inteira.
 
Assim também ocorre no círculo de nossas vidas.
 
Não tropeces no fácil triunfo ou na auréola barata dos crucificadores. Toda vez que as circunstâncias te compelirem a modificar o roteiro da própria vida, prefere o sacrifício de ti mesmo, transformando a tua dor em auxílio para muitos, porque todos aqueles que recebem a cruz, em favor dos semelhantes, descobrem o trilho da eterna ressurreição.