43 - Linguagem


 
"Linguagem sã e irrepreensível para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós." Paulo (Tito, 2:8).
 
Através da linguagem, o homem ajuda-se ou se desajuda.
 
Ainda mesmo que o nosso íntimo permaneça nevoado de problemas, não é aconselhável que a nossa palavra se faça turva ou desequilibrada para os outros.
 
Cada qual tem o seu enigma, a sua necessidade e a sua dor e não é justo aumentar as aflições do vizinho com a carga de nossas inquietações.
 
A exteriorização da queixa desencoraja, o verbo da aspereza vergasta, a observação do maldizente confunde...
 
Pela nossa manifestação mal conduzi da para com os erros dos outros, afastamos a verdade de nós.
 
Pela nossa expressão verbalista menos enobrecida, repetimos a bênção do amor que nos encheria do contentamento de viver.
 
Tenhamos a precisa coragem de eliminar, por nós mesmos, os raios de nossos sentimentos e desejos descontrolados.
 
A palavra é canal do "eu".
 
Pela válvula da língua, nossas paixões explodem ou nossas virtudes se estendem.
 
Cada vez que arrojamos para fora de nós o vocabulário que nos é próprio, emitimos forças que destroem ou edificam, que solapam ou restauram, que ferem ou balsamizam.
 
Linguagem, a nosso entender, se constitui de três elementos essenciais: expressão, maneira e voz.
 
Se não aclaramos a frase, se não apuramos o modo e se não educamos a voz, de acordo com as situações, somos suscetíveis de perder as nossas melhores oportunidades de melhoria, entendimento e elevação.
 
Paulo de Tarso fornece a receita adequada aos aprendizes do Evangelho.
 
Nem linguagem doce demais, nem amarga em excesso. Nem branda em demasia, afugentando a confiança, nem áspera ou contundente, quebrando a simpatia, mas sim "linguagem sã e irrepreensível para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós".