36 - Afirmação esclarecedora


 
"E não quereis vir a mim para terdes vida." - Jesus (João, 5:40).
 
Quantos procuram a sublimação da individualidade precisam entender o valor supremo da vontade no aprimoramento próprio.
 
Os templos e as escolas do Cristianismo permanecem repletos de aprendizes que vislumbram os poderes divinos de Jesus e lhe reconhecem a magnanimidade, caminhando, porém, ao sabor de vacilações cruéis.
 
Crêem e descrêem, ajudam e desajudam, organizam e perturbam, iluminam-se na fé e ensombram-se na desconfiança...
 
É que esperam a proteção do Senhor para desfrutarem o contentamento imediato no corpo, mas não querem ir até ele para se apossarem da vida eterna.
 
Pedem o milagre das mãos do Cristo, mas não lhe aceitam as diretrizes.
 
Solicitam-lhe a presença consoladora, entretanto, não lhe acompanham os passos.
 
Pretendem ouvi-lo, à beira do lago sereno, em preleções de esperança e conforto, todavia, negam-se a partilhar com ele o serviço da estrada, através do sacrifício pela vitória do bem. Cortejam-no em Jerusalém, adornada de flores, mas fogem aos testemunhos de entendimento e bondade, à frente da multidão desvairada e enferma. Suplicam-lhe as bênçãos da ressurreição, no entanto, odeiam a cruz de espinhos que regenera e santifica.
 
Podem ir na vanguarda edificante, mas não querem.
 
Clamam por luz divina, entretanto, receiam abandonar as sombras.
 
Suspiram pela melhoria das condições em que se agitam, todavia, detestam a própria renovação.
 
Vemos, pois, que é fácil comer o pão multiplicado pelo infinito amor do Mestre Divino ou; regozijar-se alguém com a sua influência curativa, mas, para alcançar a Vida Abundante de que ele se fez o embaixador sublime, não basta a faculdade de poder e o ato de crer, mas também a vontade perseverante de quem aprendeu a trabalhar e servir, aperfeiçoar e querer.