23 - Ante o sublime

"Não faças tu comum o que Deus purificou". (Atos, 10:15)

 

Existem expressões no Evangelho que, à maneira de flores a se salientarem num ramo divino, devem ser retiradas do conjunto para que nos deslumbremos ate o seu brilho e perfume peculiares.
 
A voz celeste, que se dirige a Simão Pedro, nos Atos, abrange horizontes muito mais vastos que o problema individual do apóstolo.
 
O homem comum está rodeado de glórias na Terra, entretanto, considera-se num campo de vulgaridades, incapaz de valorizar as riquezas que o cercam.
 
Cego diante do espetáculo soberbo da vida que lhe emoldura o desenvolvimento, tripudia sobre as preciosidades do mundo, sem meditar no paciente esforço dos séculos que a Sabedoria Infinita utilizou no aperfeiçoamento e na seleção dos valores que o rodeiam.
 
Quantos milênios terá exigido a formação da rocha?
 
Quantos ingredientes se harmonizam na elaboração de um simples raio de sol?
 
Quantos óbices foram vencidos para que a flor se materializasse?
 
Quanto esforço custou a domesticação das árvores e dos .animais?
 
Quantos séculos terá empregado a Paciência do Céu na estruturação complexa da máquina orgânica em que o Espírito encarnado se manifesta?
 
A razão é luz gradativa, diante do sublime.
 
Não te esqueças, meu irmão, de que o Senhor te situou a experiência terrestre num verdadeiro paraíso, onde a semente minúscula retribui na média do infinito por um e onde águas e flores, solo e atmosfera te convidam a produzir, em favor da multiplicação dos Tesouros Eternos.
 
Cada dia, louva o Senhor que te agraciou com as oportunidades valiosas e com os dons divinos...
 
Pensa, estuda, trabalha e serve.
 
Não suponhas comum o que Deus purificou e engrandeceu.