22 - A retribuição

"Pedro disse-lhe: e nós que deixamos tudo e te seguimos que receberemos?" - (Mateus, 19:27)

 
A pergunta do apóstolo exprime a atitude de muitos corações nos templos religiosos.
 
Consagra-se o homem a determinado círculo de fé e clama, de imediato: - "Que receberei?"
 
A resposta, porém, se derrama silenciosa, através da própria vida.
 
Que recebe o grão maduro, após a colheita?
 
O triturador que o ajuda a purificar-se.
 
Que prêmio se reserva à farinha alva e nobre?
 
O fermento que a transforma para a utilidade geral.
 
Que privilégio caracteriza o pão, depois do forno?
 
A graça de servir.
 
        Não se formam cristãos para adornos vivos do mundo e sim para a ação regeneradora e santificante da existência.
 
Outrora, os servidores da realeza humana recebiam o espólio dos vencidos e, com eles, se rodeavam de gratificações de natureza física, com as quais abreviavam a própria morte.
 
Em Cristo, contudo, o quadro é diverso.
 
Vencemos, em companhia dele, para nos fazermos irmãos de quantos nos partilham a experiência, guardando a obrigação de ampará-los e ser-lhes úteis.
 
Simão Pedro, que desejou saber qual lhe seria a recompensa pela adesão à Boa Nova, viu, de perto, a necessidade da renúncia. Quanto mais se lhe acendrou a fé, maiores testemunhos de amor à Humanidade lhe foram requeridos. Quanto mais conhecimento adquiriu, a mais ampla caridade foi constrangido, até o sacrifício extremo.
 
Se deixaste, pois, por devoção a Jesus, os laços que te prendiam às zonas inferiores da vida, recorda que, por felicidade tua, recebeste do Céu a honra de ajudar, a prerrogativa de entender e a glória de servir.