40 - Fé

 
"Mas os cuidados deste mundo, os enganos das riquezas e as ambições doutras coisas, entrando, sufocam a palavra, que fica infrutífera." - Jesus (Marcos, 4:19).
 
A árvore da fé viva não cresce no coração, miraculosamente.
 
Qual acontece na vida comum, o Criador dá tudo, mas não prescinde do esforço da criatura.
 
Qualquer planta útil reclama especial atenção no desenvolvimento.
 
Indispensável cogitar-se do trabalho de proteção, auxílio e defesa. Estacadas, adubos, vigilância, todos os fatores de preservação devem ser postos em movimento, a fim de que o vegetal precioso atinja os fins a que se destina.
 
A conquista da crença edificante não é serviço de menor esforço.
 
A maioria das pessoas admite que a fé constitua milagrosa auréola doada a alguns espíritos privilegiados pelo favor divino.
 
Isso, contudo, é um equívoco de lamentáveis conseqüências.
 
A sublime virtude é construção do mundo interior, em cujo desdobramento cada aprendiz funciona como orientador, engenheiro e operário de si mesmo.
 
Não se faz possível a realização, quando excessivas ansiedades terrestres, de parceria com enganos e ambições inferiores, torturam o campo íntimo, à maneira de vermes e malfeitores, atacando a obra.
 
A lição do Evangelho é semente viva.
 
O coração humano é receptivo, tanto quanto a terra.
 
É imprescindível tratar a planta divina com desvelada ternura e instinto enérgico de defesa.
 
Há muitos perigos sutis contra ela, quais sejam os tóxicos dos maus livros, as opiniões ociosas, as discussões excitantes, o hábito de analisar os outros antes do auto exame.
 
Ninguém pode, pois, em sã consciência, transferir, de modo integral, a vibração da fé ao espírito alheio, porque, realmente, isso é tarefa que compete a cada um.