33 - Vê, pois

 
"Vê, pois, que a luz que há em ti não sejam trevas." - Jesus (Lucas, 11:35).
 
Há ciência e há sabedoria, inteligência e conhecimento, intelectualidade e luz espiritual.
 
Geralmente, todo homem de raciocínio fácil é interpretado à conta de mais sábio, no entanto, há que distinguir.
 
O homem não possui ainda qualidades para registrar a verdadeira luz. Daí, a necessidade de prudência e vigilância.
 
Em todos os lugares, há industriosos e entendidos, conhecedores e psicólogos. Muitas vezes, porém, não passam de oportunistas prontos para o golpe do interesse inferior.
 
Quantos escrevem livros abomináveis, espalhando veneno nos corações? Quantos se aproveitam do rótulo da própria caridade visando extrair vantagens à ambição?
 
Não bastam o engenho e a habilidade. Não satisfaz a simples visão psicológica. É preciso luz divina.
 
Há homens que, num instante, apreendem toda a extensão dum campo, conhecem-lhe a terra, identificam-lhe o valor. Há, todavia, poucos homens que se apercebem de tudo isso e se disponham a suar por ele, amando-o antes de explorá-lo, dando-lhe compreensão antes da exigência.
 
Nem sempre a luz reside onde a opinião comum pretende observá-la.
 
Sagacidade não chega a ser elevação, e o poder expressivo apenas é respeitável e sagrado quando se torna ação construtiva com a luz divina.
 
Raciocina, pois, sobre a própria vida.
 
Vê, com clareza, se a pretensa claridade que há em ti não é sombra de cegueira espiritual.