167 - Na oração

 
“Senhor, ensina-nos a orar... - (Lucas, 11:1)
 
A prece, nos círculos do Cristianismo, caracteriza-se por gradação infinita em suas manifestações, porque existem crentes de todos os matizes nos vários cursos da fé.
 
Os seguidores inquietos reclamam a realização de propósitos inconstantes.
 
Os egoístas exigem a solução de caprichos inferiores.
 
Os ignorantes do bem chegam a rogar o mal para o próximo.
 
Os tristes pedem a solidão com ociosidade.
 
Os desesperados suplicam a morte.
 
Inúmeros beneficiários do Evangelho imploram isso ou aquilo, com alusão à boa marcha dos negócios que lhes interessam a vida física. Em suma, buscam a fuga. Anelam somente a distância da dificuldade, do trabalho, da luta digna.
 
Jesus suporta, paciente, todas as fileiras de candidatos do seu serviço, de sua iluminação, estendendo-lhes mãos benignas, tolerando-lhes as queixas descabidas e as lágrimas inaceitáveis.
 
Todavia, quando aceita alguém no discipulado definitivo, algo acontece no íntimo da alma contemplada pelo Senhor.
 
Cessam as rogativas ruidosas.
 
Acalmam-se os desejos tumultuários.
 
Converte-se a oração em trabalho edificante.
 
O discípulo nada reclama. E o Mestre, respondendo-lhe às orações, modifica-lhe a vontade, todos os dias, alijando-lhe do pensamento os objetivos inferiores.
 
O coração unido a Jesus é um servo alegre e silencioso.
 
Disse-lhe o Mestre: Levanta-te e segue-me. E ele ergueu-se e seguiu.