149 - Propriedade

 
“E o mancebo, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.” - (Mateus, 19:22)
 
O instinto de propriedade tem provocado grandes revoluções, ensanguentando os povos. Nas mais diversas regiões do planeta respiram homens inquietos pela posse material, ciosos de suas expressões temporárias e dispostos a morrer em sua defesa.
 
Isso demonstra que o homem ainda não aprendeu a possuir.
 
Com esta argumentação, não desejamos induzir a criatura a esquecer a formiga previdente, adotando por modelo a cigarra descuidosa. Apenas convidamos, a quem nos lê, a examinar a precariedade das posses efêmeras.
 
Cada conquista terrestre deveria ser aproveitada pela alma, como força de elevação.
 
O homem ganhará impulso santificante, compreendendo que só possui verdadeiramente aquilo que se encontra dentro dele, no conteúdo espiritual de sua vida. Tudo o que se relaciona com o exterior — como sejam: criaturas, paisagens e bens transitórios - pertence a Deus, que lhos concederá de acordo com os seus méritos.
 
Essa realidade sentida e vivida constitui brilhante luz no caminho, ensinando ao discípulo a sublime lei do uso, para que a propriedade não represente fonte de inquietações e tristeza, como aconteceu ao jovem dos ensinamentos de Jesus.