139 - Por amor

 
“Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos e compreendam no coração e se convertam e eu os cure.” - (João, 12:40)
 
Os planos mais humildes da Natureza revelam a Providência Divina, em soberana expressão de desvelo e amor.
 
Os lírios não tecem, as aves não guardam provisões e misteriosa força fornece-lhes o necessário.
 
A observação sobre a vida dos animais demonstra os extremos de ternura com que o Pai vela pela Criação desde o princípio: aqui, uma asa; acolá, um dente a mais; ali, desconhecido poder de defesa.
 
Afirma-se a grande revelação de amor em tudo.
 
No entanto, quando o Pai convoca os filhos à cooperação nas suas obras, eis que muita vez se salientam os ingratos, que convertem os favores recebidos, não em deveres nobres e construtivos, mas em novas exigências; então, faz-se preciso que o coração se lhes endureça cada vez mais, porque, fora do equilíbrio, encontrarão o sofrimento na restauração indispensável das leis externas desse mesmo amor divino. Quando nada enxergam além dos aspectos materiais da paisagem transitória, sobrevém, inopinadamente, a luta depuradora.
 
É quando Jesus chega e opera a cura.
 
Só então torna o ingrato à compreensão da Magnanimidade Divina.
 
O amor equilibra, a dor restaura. É por isso que ouvimos muitas vezes: “Nunca teria acreditado em Deus se não houvesse sofrido.”