PASSE, Em Reunião pública é ele obrigatório?

“Esclarecer os companheiros quanto à inconveniência da petição de passes todos os dias, sem necessidade real, para que esse gênero de auxílio não se transforme em mania.

É falta de caridade abusar da bondade alheia”.

Conduta Espírita, pelo espírito André Luiz, psicografia de Waldo Vieira, capítulo 28.

 

Não! O passe não e obrigatório, respondem os Espíritos, na passagem citada e em muitas outras. Mas é utilizado como se o fosse.

Os que se habituam ao passe nas reuniões públicas buscam apenas a cura do corpo, por condicionados às soluções exteriores.

E por outras razões. Estas, de nossa responsabilidade. A primeira delas como consequência de chegarem às Casas espíritas, em geral, enfermos. Ali, recebem, no tratamento espiritual, o passe, a água fluidificada e a desobsessão, É essa a correta terapia espiritual. A cura ou alívio de seus males pode induzi-los ao hábito do passe.

A segunda razão é a de que nem sempre se orientam os pacientes sobre que, concluído o tratamento, é-lhes dispensável o passe magnético; mas que lhe é imprescindível;

a)    Continuar assistindo às “Reuniões Públicas”;

b)    Estudar a Doutrina Espírita, inscrevendo-se em cursos; e

c)    Inscrever-se nas atividades de assistência social.

Estas duas últimas opções (estudo e trabalho) levam-nos à reforma interior, que é a cura efetiva, pois, como afirma o Divino Mestre, a Verdade liberta. Tanto isso é real que não se vêem contumazes recebedores de passes entre aqueles que fizeram o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita; ou outros cursos; ou, ainda, que são estudiosos.

Há quem estimule os presentes a receberem passes indefinidamente. Em alguns Centros Espíritas até fecham a porta de saída, forçando a passagem pela sala de passes... Assim agindo, deixam a impressão de que há obrigatoriedade na recepção de passes. O que, repetimos, não é verdade.

No artigo “O Passe nas Casas Espíritas”, em Reformador de maio/96, escrevemos:

“Observamos que na maioria das Casas Espíritas não há orientação adequada quanto à utilização do passe. Ele é ministrado a todos os freqüentadores, indistintamente; de forma que, sobretudo os novatos, entendem que, ao ouvirem uma exposição espírita, devem após, sempre, receber o benefício do passe. Habituam-se, anos a fio, a recebê-lo uma ou mais vezes por semana.

Os que se tornam trabalhadores do Centro ficam com o hábito não só de tomar os seus passes diários – chegando a (...) recebe-los após aplica-los -, mas com o de induzir todos a recebê-los. Há os que ainda requisitam “passe especial”... Como se houvesse uma escala de valores para os passes, uns diferentes dos outros: o “comum” e o “especial”. (...)

É claro que não se vai impedir alguém de receber o passe, mas todos devem ser orientados adequadamente.

Nas reuniões públicas, antes do início da transmissão dos passes, a orientação deve ser repetida, pois que há sempre frequentadores novos, a cada reunião.”

Jesus nos afirma que “(...) os são não precisam de médico, e, sim, os doentes.” (Lucas, 5:31). Por que receber o passe, se estamos física e mentalmente bem?

No editorial do Informativo O Trabalhador Espírita de maio/2000, o então Presidente da Federação Espírita do Estado de Goiás, Umberto Ferreira alerta:

“O livro Orientação ao Centro Espírita – escrito após amplas discussões nos estados, em reuniões regionais e, finalmente, em reunião do Conselho Federativo Nacional, juntamente com a FEB – proporciona aos centros espíritas orientações adequadas sobre como conduzir as suas diversas atividades.

Com relação às reuniões públicas em que se realiza a aplicação de passes, recomenda o livro que se encerre primeiro a reunião pública e deixe um pequeno intervalo para que as pessoas que vieram somente para ouvir a palestra possam retirar-se.

Em seguida o passe é aplicado nas pessoas interessadas ou necessitadas. Essa orientação é sábia porque separa a função de educandário – que instrui, esclarece, educa – da de hospital – que alivia ou cura.

Muitos centros, no entanto, preferem desenvolver as duas atividades numa única reunião. Portanto só fazem a prece de encerramento após o término dos passes ou trabalhos de cura.

Uma das consequências desse tipo de reunião é a de estimular todos os presentes a tomarem passes todos os dias em que comparecem às reuniões públicas, já que têm que aguardar a prece final. (Grifamos)

É importante enfatizar que este modelo de reunião que inclui o passe na reunião de estudo (ainda que sob a forma de palestras evangélicas) não está previsto nas obras básicas”.

Portanto, o ideal é que se adote o modelo sugerido pelo opúsculo Orientação ao Centro Espírita, elaborado com a participação das Federações Espíritas Estaduais – via Conselho Federativo Nacional -, sob a coordenação da FEB.

Nele, ela é indicada, dentre as que são públicas, com o nome de “Reuniões de Assistência Espiritual”. E, talvez por isso, não a identifiquem como a vulgarmente conhecida “Reunião Pública”.

Mas esse opúsculo, pouco conhecido e estudo, é, menos ainda, aplicado, sobretudo por dirigentes de Casas Espíritas.

O que é uma pena, porque conhecê-lo e aplica-lo é um dos meios de favorecer a Unificação do Movimento Espírita brasileiro.

Um dos objetivos da Doutrina Espírita é o de despertar as criaturas para a função dinâmica, transformadora do Evangelho, que é a de curar o Espírito.

Consentir que as pessoas prossigam cultivando religião por hábitos, sem mudanças interiores, permanecendo com os braços cruzados e as mentes atrofiadas, é sacrilégio inominável. É omissão pela qual responderemos.

É contribuir para que permaneçam à margem do manancial imenso de verdades eternas contidas na Doutrina Espírita, e prossigam sedentas de luz, limitando-se a buscar a cura para o corpo.

Cabe-nos, pois, fugir à acomodação, estudar e trabalhar, para sermos fiéis ao Divino Mestre, despertando-nos para a Verdade que a todos nos liberta.

Gebaldo José de Sousa

(Publicado em Reformador de outubro/2003)